Com grande entusiasmo o curta em animação "Sambatown" inicia sua carreira em festivais internacionais sendo selecionado para o 32 Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, em Havana. O festival acontece de 2 a 12 de dezembro e é considerado um dos mais importantes do mundo.
http://www.habanafilmfestival.com
26 de outubro de 2010
19 de setembro de 2010
EICTV
Não creio que haja outro lugar no mundo que expresse a sensação que encontrei aqui. No meio de uma imensidão nossa alma sente claustrofobia. Talvez deve haver algo parecido na Africa ou na antiga Alemanha Oriental, mas é fato que não exista algo contemporaneo. Contemplamos o mais lindo por do sol, os enorme gramados bem cuidados, as lavouras cultivadas com carinho. Corremos, corremos e nossa alma continua ali, com medo. A escola daqui fabrica pessoas impares. Existe uma ilha dentro de outra ilha. Muitos que chegam, carregam uma grande desilusão na vida e saem ilusionistas, contadores de histórias, com a alma um pouco mais apertada a ponto de explodir no primeiro porto que desembarcar. Se olham por dentro, não com egoísmo ,mas com uma certeza que não há mais nada o que fazer senão aprender, aprender e aprender. Certamente alguns gênios, alguns loucos e pessoas normais, creio, como eu.
San Antonio de los Baños, Cuba.
San Antonio de los Baños, Cuba.
9 de junho de 2010
Sambatown
O curta metragem "Sambatown" ,do diretor Cadu Macedo vem sendo co-produzido pelo estúdio Usinanimada. O filme foi viabilizado pelo MinC através do Edital de curtas em animação 2008, último edital do gênero proposto pelo governo.
A produção de 5 minutos teve início em maio de 2009 e completa um ano com o mesmo rigor para a etapa de finalização.
A história baseada em uma das lendas do candomblé e seus orixás, teve como inspiração as obras do artista bahiano Caribé. O curta vem sendo realizado na técnica de animação tradicional 2D com alguns recursos de computação gráfica.
A finalização do filme está prevista para o segundo semestre de 2010 e pretende percorrer festivais nacionais e internacionais.
http://www.sambatown.com/
A produção de 5 minutos teve início em maio de 2009 e completa um ano com o mesmo rigor para a etapa de finalização.
A história baseada em uma das lendas do candomblé e seus orixás, teve como inspiração as obras do artista bahiano Caribé. O curta vem sendo realizado na técnica de animação tradicional 2D com alguns recursos de computação gráfica.
A finalização do filme está prevista para o segundo semestre de 2010 e pretende percorrer festivais nacionais e internacionais.
http://www.sambatown.com/
13 de janeiro de 2010
Encerramento
O curta-metragem " :dose única" encerra neste ano de 2010 sua tragetória em festivais. Foram 12 festivais no Brasil destacando o 14o Vitória CineVídeo, um dos mais importantes e concorridos festivais do País. Este blog começa a publicar outras produções autorais que vem sendo realizadas ou divulgar parcerias em forma de co-produções.
DVD
O DVD do curta já está disponível para distribuição incluindo o making-of e stills. A cópia é gratuita bastando apenas o reembolso da mídia e do custo de envio. Interessados entrar em contato pelo email shareid@terra.com.br
18 de janeiro de 2009
30 de outubro de 2008
Madrid
O ALCINE - Festival de Cinema de Alcalá de Henares, o mais importante festival de curtas metragens da Espanha, todo ano dedica uma sessão à cinematografia de um país estrangeiro. Este ano o festival realizado em Madrid, que acontece de 7 a 15 de novembro, dedicará 48 horas a cultura brasileira e convidou o curta :dose única a ser incluído na representação do mercado latino-americano que acontece simultâneamente. Serão apresentadas 6 ciclos de curtas-metragens, uma longa-metragem, concertos, e festas brasileiras.
22 de julho de 2008
Taguatinga
Nova participação do curta ribeirãopretano foi registrada na 8o Mostra Taguatinga - Festival de Cinema e Vídeo realizada no Distrito Federal. Os filmes foram selecionados entre mais de 130 inscritos. O festival dividiu a programação em 6 exibições temáticas e o curta foi exibido na temática adulta. O festival aconteceu de 1 a 6 de julho no Teatro da Praça localizado no centro de Taguatinga.
12 de maio de 2008
Palestra
Neste dia 28 de Maio haverá uma palestra sobre direção de curtas metragens onde será exibido e comentado a produção do :Dose única. O diretor foi convidado a participar da 15o Semana de Comunicação realizada na Universidade de Ribeirão Preto. A entrada é aberta ao público levando 1kg de alimento não perecível.
Palestra dia 28/05 as 20hs
15o Semana de Comunicação UNAERP
tema: Direção de Curta Metragem. A experiência em :DOSE ÚNICA.
- Exibição do curta metragem :DOSE UNICA.
- Histórico do diretor.
- Exibição do making of.
- Apresentação dos bastidores.
- Descrição das etapas.
- Particularidades da produção.
- Características da produção autoral independente.
- Panorama geral de produção de curtas.
- Leis de incentivo.
Entrada: 1kg de alimento não perecível.
Local:sala de vídeo/bloco F - UNAERP
Palestra dia 28/05 as 20hs
15o Semana de Comunicação UNAERP
tema: Direção de Curta Metragem. A experiência em :DOSE ÚNICA.
- Exibição do curta metragem :DOSE UNICA.
- Histórico do diretor.
- Exibição do making of.
- Apresentação dos bastidores.
- Descrição das etapas.
- Particularidades da produção.
- Características da produção autoral independente.
- Panorama geral de produção de curtas.
- Leis de incentivo.
Entrada: 1kg de alimento não perecível.
Local:sala de vídeo/bloco F - UNAERP
22 de fevereiro de 2008
Teresina
O Festival esqueceu de nos avisar, mas ainda assim fica nosso registro! O curta ":dose 'unica" esteve entre os 50 selecionados no 15 FestVideo de Teresina que aconteceu de 3 a 7 de dezembro de 2007. O festival recebeu inscrições de 166 trabalhos de todo país sendo 57 só do estado de São Paulo. Uma pena que a notícia chegue tarde, proporcional a distância como acontecia antigamente.
18 de janeiro de 2008
Trailer
Já está disponível o trailer em alta resolução. É necessário ter o quicktime player.
http://usinanimada.com.br/dose/dose.htm
http://usinanimada.com.br/dose/dose.htm
24 de novembro de 2007
21 de novembro de 2007
Estréia em São Paulo
Após participações importantes no Cineclube ABD do Rio e Festival de CineVideo de Vítoria, o curta :dose única segue sua trajetória com lançamento dia 28/11 no espaço iDch em São Paulo. Junto a exibição acontecerá um ciclo de palestras sobre produção de filmes com baixíssimo orçamento e preparação de atores.
O iDch fica na rua Correia Dias, 161. Próximo ao Metrô Paraíso.
Segue abaixo informações sobre os palestrantes:
Marcelo Salinas
É chefe de reportagem do jornal Destak, onde foi também repórter de cinema e variedades. Cursou jornalismo na PUC-SP e começou na profissão em 2004, como repórter e redator de política da Folha de S.Paulo. Antes de "adotar" o jornalismo, cursou a faculdade de administração de empresas.
Norberto Flesh
Jornalista de Formação, Norberto Flesh trabalha na área desde 1980. Suas experiências internacionais incluem diversos países da América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia. Foi editor de importantes revistas nacionais e colabora com os principais jornais do Brasil, como Folha de São Paulo, no Caderno Ilustrada, O Estado de São Paulo, Jornal Agora e Folha da Tarde, onde atuou também como repórter, crítico de cinema e música. Hoje é crítico musical da Revista Rolling Stone, repórter do Guia da Folha e do Folha OnLine, Revista Sexy e Jornal Destak.
Tema: Mídia, um diabo necessário
A mídia e a imprensa, especialmente as "vendidas ao mainstream", costumam ser demonizadas por movimentos artísiticos alternativos. O jornalista Marcelo Salinas tenta exorcizar essa idéia e mostrar que, apesar da disputa de egos, jornalistas e artistas precisam um do outro.
Gustavo Sol
Intérprete e pesquisador formado pelo Departamento de Artes Cênicas da Unicamp, em 2000, tem também em seu currículo, diversos cursos e oficinas paralelas à formação acadêmica. Um dos fundadores do Grupo Interdisciplinar de Produção e Pesquisa em Artes Carranca, hoje é pesquisador do CNPQ/CAPES e cursa mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, sob a orientação da Profa. Dra. Helena Katz, estudando estados alterados de consciência para o trabalho do ator.
Tema: Overdose do Corposintético na Experiência do : dose única.
Corposintético é um corpo que foca sua atenção em modelos de comportamento construídos arbitrariamente deixando de se relacionar com informações do ambiente em tempo real. Nesse caso, uma alternativa para o trabalho do ator seria pensar em estados de alteração de consciência. Gustavo Sol pretende lançar algumas questões relativas ao assunto, focando a diferença entre teatro e cinema, tendo como base a experiência do curta “ : dose única”
Sylla Taves
Graduado em Engenharia de Produção Agroindustrial pela Universidade Federal de São Carlos, atualmente reside em Campinas, onde atua como produtor cultural na área de teatro e cinema curta-metragem. Na Unicamp, atua como Pesquisador do Museu Exploratório de Ciências e Gerente de Projetos da Reitoria, além de cursar mestrado no programa de Pós Graduação em Artes, Instituto de Artes.
Tema: Sylla Taves fala sobre os processos e etapas de elaboração de um projeto cultural, tendo em vista a captação de recursos e seu gerenciamento. Seu enfoque parte de experiências recentes de curtas gravados na região de Campinas.
Ruy Filho
Formado em Artes Plásticas pela FAAP, é diretor, dramaturgo e colunista/crítico teatral do site Guia da Semana e Jornal Gazeta de Ribeirão. Acompanha o trabalho de Gerald Thomas desde 1999, atuando como assistente de direção desde 2005. Como produtor, alguns trabalhos se destacam, a exemplo da assessoria de gabinete realizada na Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo em 2003/04, o Festival Internacional de Curtas – MIS – SP em 2001.
Tema: Em muitas discussões sobre produção cultural, por diversas vezes, percebemos discursos motivados pelo embate ideológico entre arte e mercado. Tais argumentações deixam de lado a possibilidade de atuarmos nas fronteiras das áreas do conhecimento. Ruy filho propõe a idéia de Produção Criativa, um modo de ver a arte e a produção cultural, como um mesmo processo de criação.
Shareid e Jon
Sócios fundadores do estúdio Usinanimada em Ribeirão Preto. Formados em Design e Produção audiovisual conquistaram vários prêmios com curtas em animação e publicidade além do destaque na produção independente para TV com propostas autorais e criativas.
Tema: Produção independente em curto espaço financeiro
Traçar um panorama das produções autorais do estúdio, dentre eles a mais recente produção do curta :dose única e as alternativas que viabilizaram esta produção.
Para participar das palestras é necessário fazer a inscrição gratuita no site do iDch.
www.idch.art.br
O iDch fica na rua Correia Dias, 161. Próximo ao Metrô Paraíso.
Segue abaixo informações sobre os palestrantes:
Marcelo Salinas
É chefe de reportagem do jornal Destak, onde foi também repórter de cinema e variedades. Cursou jornalismo na PUC-SP e começou na profissão em 2004, como repórter e redator de política da Folha de S.Paulo. Antes de "adotar" o jornalismo, cursou a faculdade de administração de empresas.
Norberto Flesh
Jornalista de Formação, Norberto Flesh trabalha na área desde 1980. Suas experiências internacionais incluem diversos países da América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia. Foi editor de importantes revistas nacionais e colabora com os principais jornais do Brasil, como Folha de São Paulo, no Caderno Ilustrada, O Estado de São Paulo, Jornal Agora e Folha da Tarde, onde atuou também como repórter, crítico de cinema e música. Hoje é crítico musical da Revista Rolling Stone, repórter do Guia da Folha e do Folha OnLine, Revista Sexy e Jornal Destak.
Tema: Mídia, um diabo necessário
A mídia e a imprensa, especialmente as "vendidas ao mainstream", costumam ser demonizadas por movimentos artísiticos alternativos. O jornalista Marcelo Salinas tenta exorcizar essa idéia e mostrar que, apesar da disputa de egos, jornalistas e artistas precisam um do outro.
Gustavo Sol
Intérprete e pesquisador formado pelo Departamento de Artes Cênicas da Unicamp, em 2000, tem também em seu currículo, diversos cursos e oficinas paralelas à formação acadêmica. Um dos fundadores do Grupo Interdisciplinar de Produção e Pesquisa em Artes Carranca, hoje é pesquisador do CNPQ/CAPES e cursa mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, sob a orientação da Profa. Dra. Helena Katz, estudando estados alterados de consciência para o trabalho do ator.
Tema: Overdose do Corposintético na Experiência do : dose única.
Corposintético é um corpo que foca sua atenção em modelos de comportamento construídos arbitrariamente deixando de se relacionar com informações do ambiente em tempo real. Nesse caso, uma alternativa para o trabalho do ator seria pensar em estados de alteração de consciência. Gustavo Sol pretende lançar algumas questões relativas ao assunto, focando a diferença entre teatro e cinema, tendo como base a experiência do curta “ : dose única”
Sylla Taves
Graduado em Engenharia de Produção Agroindustrial pela Universidade Federal de São Carlos, atualmente reside em Campinas, onde atua como produtor cultural na área de teatro e cinema curta-metragem. Na Unicamp, atua como Pesquisador do Museu Exploratório de Ciências e Gerente de Projetos da Reitoria, além de cursar mestrado no programa de Pós Graduação em Artes, Instituto de Artes.
Tema: Sylla Taves fala sobre os processos e etapas de elaboração de um projeto cultural, tendo em vista a captação de recursos e seu gerenciamento. Seu enfoque parte de experiências recentes de curtas gravados na região de Campinas.
Ruy Filho
Formado em Artes Plásticas pela FAAP, é diretor, dramaturgo e colunista/crítico teatral do site Guia da Semana e Jornal Gazeta de Ribeirão. Acompanha o trabalho de Gerald Thomas desde 1999, atuando como assistente de direção desde 2005. Como produtor, alguns trabalhos se destacam, a exemplo da assessoria de gabinete realizada na Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo em 2003/04, o Festival Internacional de Curtas – MIS – SP em 2001.
Tema: Em muitas discussões sobre produção cultural, por diversas vezes, percebemos discursos motivados pelo embate ideológico entre arte e mercado. Tais argumentações deixam de lado a possibilidade de atuarmos nas fronteiras das áreas do conhecimento. Ruy filho propõe a idéia de Produção Criativa, um modo de ver a arte e a produção cultural, como um mesmo processo de criação.
Shareid e Jon
Sócios fundadores do estúdio Usinanimada em Ribeirão Preto. Formados em Design e Produção audiovisual conquistaram vários prêmios com curtas em animação e publicidade além do destaque na produção independente para TV com propostas autorais e criativas.
Tema: Produção independente em curto espaço financeiro
Traçar um panorama das produções autorais do estúdio, dentre eles a mais recente produção do curta :dose única e as alternativas que viabilizaram esta produção.
Para participar das palestras é necessário fazer a inscrição gratuita no site do iDch.
www.idch.art.br
22 de outubro de 2007
Provérbio
Dizem que a primeira a gente nunca esquece. O curta ":dose única" inicia sua trajetória sendo selecionado no Festival 14 Vitória CineVídeo. Um dos mais importantes festivais devido a sua estrutura, recebeu inscrições de curtas de todo o país onde apenas 16 ficções foram selecionados na categoria vídeo. A exibição será dia 14 de novembro no Cine Metrópolis em Vitória -ES.
Agora é torcer. O primeiro festival. A primeira viagem de avião. A primeira visita a Vitória..rs
Agora é torcer. O primeiro festival. A primeira viagem de avião. A primeira visita a Vitória..rs
8 de outubro de 2007
Sobre dose
Dose única
por Francisco Gaspar
O curta “ : dose única” (Rogério Shareid, 2007. Ribeirão Preto) conta a história de um Homem apaixonado por uma Mulher e que na instância de não tê-la completamente fica transtornado e se mostra obcecado por ela.
A válvula de escape do personagem masculino para tentar se conter diante da falta da Mulher, num primeiro estágio são os livros de anatomia, onde o personagem entra em contato com alguns conceitos biológicos. Após ele descobrir em suas leituras que o corpo da mulher é composto, em sua maioria, por água, o Homem começa a consumir o líquido de forma compulsiva, até o momento em que ele se depara com ela onde o excesso de desejo custa-lhe a vida, vítima de uma overdose.
Feita essa primeira descrição narrativa e simplista, partiremos para uma análise mais simbólica do curta. Essa análise será baseada num elemento que considero de suma importância para o enredo do filme: a água. Sua importância se dá tanto pela parte mais simbólica do filme quanto para contextualizar geograficamente a região e o clima em que foi filmado, que apesar de não se citado diegéticamente, exerce uma grande influência nas simbologias utilizadas pelo roteiro.
Primeiramente, a água tem uma importância muito grande no enredo do curta pois ela representa, de forma indiciática, a própria Mulher. A relação de índice se faz baseada numa informação fisiológica que o próprio filme aponta. Então, o consumo compulsivo de água pelo personagem Homem passa a ser o “consumo” da Mulher. A voracidade com que o Homem vai em busca da água e a ingere é a mesma com que ele transa com ela; e todo o transtorno dele quando a água acaba é também, senão simplesmente, causado pela ausência da Mulher. Então, a água que é uma representação indiciática passa a ser, também, uma representação simbólica, pois ela deixa de ser apenas um elemento que compõe o corpo da mulher e passa a ser a representação da personagem Mulher, iniciando uma relação metonímica em que a parte água passa a ser o todo mulher.
Indo mais além no curta e nas relações entre clima, Mulher e água, destaca-se os momentos de alucinação do personagem em que o elemento água se faz presente de forma mais simbólica. São eles as cenas onde o personagem começa a ver bolhas de sabão, goteiras, água saindo do armário e quando ele consome água direto do galão da cozinha. Esse momento antecede o clímax do filme que é quando o personagem, já num estado de total transtorno, destrói os pertences de seu quarto.
No momento de alucinação, onde o personagem vê água em todos os cantos, nota-se uma serenidade e uma passividade do personagem, que irá propositadamente contrastar com a seqüência posterior. Para o autor, a água é um elemento que se remete ao profundo, a escuridão das profundezas das águas, porém não como algo de energia negativa, e sim a uma calmaria, a um momento de reflexão interior, de introspecção, de uso terapêutico da água e de sua ausência de luz no profundo, algo uterino, onde os sons não são bem definidos e as imagens são desfocadas. Essa calmaria e introspecção se fomentam, também, na fotografia do filme que traz cores mais frias nos momentos de reclusão, e que se acentuam na cenas de alucinação, em tons de azul em contraste com a aridez avermelhada da realidade proposta ajudando a criar toda a atmosfera introspectiva necessária pra a seqüência.
Sendo assim, nesses momentos, que não chamo mais de alucinação e sim de introspecção, em que o Homem comporta-se de forma passiva e considerando toda a atmosfera sugerida pela fotografia e as simbologias com a água, principalmente a do útero, pode-se dizer que a atitude do Homem é de uma passividade fetal.
Assim, quando o Homem sai da passividade para a explosão, como um bebê que deixa de ser feto e vem ao mundo e como o Homem que abandona seu estado de introspecção para outro de ação, ele desprende parte de sua energia, até então acumulada, no ato de auto-destruição, chegando ao ponto de reencontrar a Mulher que sempre esteve ali do outro lado da porta sugerida pela forma narrativa, e que o sauda com um copo d’água, reunindo num só momento os dois desejos do Homem. Ele rompe com a atmosfera criada pelo momento de introspecção, de toda sua fase água, e passa rapidamente pela fase terreno, onde ele realmente vê a Mulher, e logo em seguida atinge um estágio de sublimação total – o momento da transa – onde a energia desprendida pelo excesso de prazer é tão grande que lhe custa à vida.
Complementando a análise do curta, consideremos a água, a localização geográfica da região de Ribeirão Preto em que o vídeo foi feito e a conjunção de significados sugerido pelo diretor entre a falta do objeto de desejo, a Mulher e a falta de umidade, reflexo do clima da região muitas vezes causada pelo excesso de queimada de cana. A Mulher, já no fim do filme, se configura como representação de parte do clima concluida em sua caminhada sinestésica com as fuligens, da mesma forma como a água, parte da constituição corpórea da Mulher.
O elemento água e toda a obsessão do Homem por ela, a seca e as queimadas trazem a identidade regional impresso no olhar ao redor do autor. Não que o curta discuta esse problema com um caráter social, até porquê esse não é o intuito dele, mas sim colocar dentro de um contexto particular alguns reflexos explícitos dessa realidade representada.
por Francisco Gaspar
O curta “ : dose única” (Rogério Shareid, 2007. Ribeirão Preto) conta a história de um Homem apaixonado por uma Mulher e que na instância de não tê-la completamente fica transtornado e se mostra obcecado por ela.
A válvula de escape do personagem masculino para tentar se conter diante da falta da Mulher, num primeiro estágio são os livros de anatomia, onde o personagem entra em contato com alguns conceitos biológicos. Após ele descobrir em suas leituras que o corpo da mulher é composto, em sua maioria, por água, o Homem começa a consumir o líquido de forma compulsiva, até o momento em que ele se depara com ela onde o excesso de desejo custa-lhe a vida, vítima de uma overdose.
Feita essa primeira descrição narrativa e simplista, partiremos para uma análise mais simbólica do curta. Essa análise será baseada num elemento que considero de suma importância para o enredo do filme: a água. Sua importância se dá tanto pela parte mais simbólica do filme quanto para contextualizar geograficamente a região e o clima em que foi filmado, que apesar de não se citado diegéticamente, exerce uma grande influência nas simbologias utilizadas pelo roteiro.
Primeiramente, a água tem uma importância muito grande no enredo do curta pois ela representa, de forma indiciática, a própria Mulher. A relação de índice se faz baseada numa informação fisiológica que o próprio filme aponta. Então, o consumo compulsivo de água pelo personagem Homem passa a ser o “consumo” da Mulher. A voracidade com que o Homem vai em busca da água e a ingere é a mesma com que ele transa com ela; e todo o transtorno dele quando a água acaba é também, senão simplesmente, causado pela ausência da Mulher. Então, a água que é uma representação indiciática passa a ser, também, uma representação simbólica, pois ela deixa de ser apenas um elemento que compõe o corpo da mulher e passa a ser a representação da personagem Mulher, iniciando uma relação metonímica em que a parte água passa a ser o todo mulher.
Indo mais além no curta e nas relações entre clima, Mulher e água, destaca-se os momentos de alucinação do personagem em que o elemento água se faz presente de forma mais simbólica. São eles as cenas onde o personagem começa a ver bolhas de sabão, goteiras, água saindo do armário e quando ele consome água direto do galão da cozinha. Esse momento antecede o clímax do filme que é quando o personagem, já num estado de total transtorno, destrói os pertences de seu quarto.
No momento de alucinação, onde o personagem vê água em todos os cantos, nota-se uma serenidade e uma passividade do personagem, que irá propositadamente contrastar com a seqüência posterior. Para o autor, a água é um elemento que se remete ao profundo, a escuridão das profundezas das águas, porém não como algo de energia negativa, e sim a uma calmaria, a um momento de reflexão interior, de introspecção, de uso terapêutico da água e de sua ausência de luz no profundo, algo uterino, onde os sons não são bem definidos e as imagens são desfocadas. Essa calmaria e introspecção se fomentam, também, na fotografia do filme que traz cores mais frias nos momentos de reclusão, e que se acentuam na cenas de alucinação, em tons de azul em contraste com a aridez avermelhada da realidade proposta ajudando a criar toda a atmosfera introspectiva necessária pra a seqüência.
Sendo assim, nesses momentos, que não chamo mais de alucinação e sim de introspecção, em que o Homem comporta-se de forma passiva e considerando toda a atmosfera sugerida pela fotografia e as simbologias com a água, principalmente a do útero, pode-se dizer que a atitude do Homem é de uma passividade fetal.
Assim, quando o Homem sai da passividade para a explosão, como um bebê que deixa de ser feto e vem ao mundo e como o Homem que abandona seu estado de introspecção para outro de ação, ele desprende parte de sua energia, até então acumulada, no ato de auto-destruição, chegando ao ponto de reencontrar a Mulher que sempre esteve ali do outro lado da porta sugerida pela forma narrativa, e que o sauda com um copo d’água, reunindo num só momento os dois desejos do Homem. Ele rompe com a atmosfera criada pelo momento de introspecção, de toda sua fase água, e passa rapidamente pela fase terreno, onde ele realmente vê a Mulher, e logo em seguida atinge um estágio de sublimação total – o momento da transa – onde a energia desprendida pelo excesso de prazer é tão grande que lhe custa à vida.
Complementando a análise do curta, consideremos a água, a localização geográfica da região de Ribeirão Preto em que o vídeo foi feito e a conjunção de significados sugerido pelo diretor entre a falta do objeto de desejo, a Mulher e a falta de umidade, reflexo do clima da região muitas vezes causada pelo excesso de queimada de cana. A Mulher, já no fim do filme, se configura como representação de parte do clima concluida em sua caminhada sinestésica com as fuligens, da mesma forma como a água, parte da constituição corpórea da Mulher.
O elemento água e toda a obsessão do Homem por ela, a seca e as queimadas trazem a identidade regional impresso no olhar ao redor do autor. Não que o curta discuta esse problema com um caráter social, até porquê esse não é o intuito dele, mas sim colocar dentro de um contexto particular alguns reflexos explícitos dessa realidade representada.
4 de outubro de 2007
Comentario
Olá Shareid,
Como a possibilidade de recortes é inúmera, vou pinçar o que acredito ser mais relevante e que, saltou aos meus olhos: o recorte pela dimensão patêmica, progressiva e prudente ao engajamento da subjetividade atrelada à narratividade, que, penso ser o que você tem pontuado, abrindo a discussões e mostrando-se mais preocupado com. Há no seu texto, elementos que estão atrelados a uma verdade a qual deseja construir uma semântica da dimensão passional, isto é, entendo sua narratividade, o seu texto, como a paixão não-aquilo que afeta o ser afetivo dos sujeitos “reais” mas, enquanto efeito de sentido inscritos e codificados na linguagem. Que é o que molda, em verdade, nós, virtual telespectadores. Isso de fato, faz-me refletir que, em linhas gerais, mergulhados em sua narratividade, somos convidados a re-fletir acerca da valorização desta ou daquela paixão, desvalorizar uma (seca – nada/ abundância/ tudo, abstinência, abundância etc, sei lá!!!), em detrimento da outra. Brincando com os exemplos imbecis e superficiais que acabo de pontuar, tais oposições semânticas, estão intrin-seca-mente (rs...) ligadas ao imaginário passional.
A metáfora fundamental (se é que ela existe) é à base do modelo da compreensão. S omos então convidados a sermos “pequenos cientistas”? Limitados, porquanto não considerados na relação do sujeito com sua comunidade (filme) via linguagem? Sinto a proposição de uma outra linguagem: o processo de sentir no psicanalítico. O aprofundamento da analogia e das metáforas, extremamente bem construídas em seus planos, permite delinear de forma bastante curiosa uma proposta que passeia da subjetividade ao equilíbrio dos já ditos.
A busca “pelo esmiuçar” de um texto, pela interpretação alheia, seja ele (a) qual for, tem exclusivamente o intuito da confirmação do SEU objeto (roteiro, narratividade etc). Será que tais reflexões não estão, contudo, à parte da arte?
A obra, ao fim, torna-se autônoma.
Não pertence mais ao criador.
Tem vida própria, fala por ela.
É o que se chama de arte pela arte?
Um abraço,
Carolina
Carol! Confesso que tive procurar o dicionário umas 3 vezes ...rs.
Obviamente que não estamos falando mais sobre a criação e sim sobre a multiplicação das sensações que ela nos causa. Algumas vezes me deparo com produções em que por trás dela parece haver uma necessidade de se afirmar tanto da obra na forma como foi executada quanto as inúmeras argumentações formuladas pelo autor. Há uma necessidade de ser complexo, como se não bastasse já nossa intrínseca complexidade. Me intriga saber a importância disso.
Naturalmente criamos, e o resultado, sentimos. Vejo a arte assim. Não adianta você fazer. Precisa de alguém pra sentir.
Agora eu já me torno espectador e não mais realizador e por isso o que diz faz muito sentido. Ele, o filme, torna-se autônomo e agora deixo-o que amem ou odeiem sem sofrimento. Importa existir e incentivar todos nós cientistas!
Como a possibilidade de recortes é inúmera, vou pinçar o que acredito ser mais relevante e que, saltou aos meus olhos: o recorte pela dimensão patêmica, progressiva e prudente ao engajamento da subjetividade atrelada à narratividade, que, penso ser o que você tem pontuado, abrindo a discussões e mostrando-se mais preocupado com. Há no seu texto, elementos que estão atrelados a uma verdade a qual deseja construir uma semântica da dimensão passional, isto é, entendo sua narratividade, o seu texto, como a paixão não-aquilo que afeta o ser afetivo dos sujeitos “reais” mas, enquanto efeito de sentido inscritos e codificados na linguagem. Que é o que molda, em verdade, nós, virtual telespectadores. Isso de fato, faz-me refletir que, em linhas gerais, mergulhados em sua narratividade, somos convidados a re-fletir acerca da valorização desta ou daquela paixão, desvalorizar uma (seca – nada/ abundância/ tudo, abstinência, abundância etc, sei lá!!!), em detrimento da outra. Brincando com os exemplos imbecis e superficiais que acabo de pontuar, tais oposições semânticas, estão intrin-seca-mente (rs...) ligadas ao imaginário passional.
A metáfora fundamental (se é que ela existe) é à base do modelo da compreensão. S omos então convidados a sermos “pequenos cientistas”? Limitados, porquanto não considerados na relação do sujeito com sua comunidade (filme) via linguagem? Sinto a proposição de uma outra linguagem: o processo de sentir no psicanalítico. O aprofundamento da analogia e das metáforas, extremamente bem construídas em seus planos, permite delinear de forma bastante curiosa uma proposta que passeia da subjetividade ao equilíbrio dos já ditos.
A busca “pelo esmiuçar” de um texto, pela interpretação alheia, seja ele (a) qual for, tem exclusivamente o intuito da confirmação do SEU objeto (roteiro, narratividade etc). Será que tais reflexões não estão, contudo, à parte da arte?
A obra, ao fim, torna-se autônoma.
Não pertence mais ao criador.
Tem vida própria, fala por ela.
É o que se chama de arte pela arte?
Um abraço,
Carolina
Carol! Confesso que tive procurar o dicionário umas 3 vezes ...rs.
Obviamente que não estamos falando mais sobre a criação e sim sobre a multiplicação das sensações que ela nos causa. Algumas vezes me deparo com produções em que por trás dela parece haver uma necessidade de se afirmar tanto da obra na forma como foi executada quanto as inúmeras argumentações formuladas pelo autor. Há uma necessidade de ser complexo, como se não bastasse já nossa intrínseca complexidade. Me intriga saber a importância disso.
Naturalmente criamos, e o resultado, sentimos. Vejo a arte assim. Não adianta você fazer. Precisa de alguém pra sentir.
Agora eu já me torno espectador e não mais realizador e por isso o que diz faz muito sentido. Ele, o filme, torna-se autônomo e agora deixo-o que amem ou odeiem sem sofrimento. Importa existir e incentivar todos nós cientistas!
24 de setembro de 2007
18 de setembro de 2007
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